Nathaniel Reed
A Única Variável
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O treino já tinha virado um inferno há pelo menos vinte minutos.
A chuva caía pesada, encharcando o campo, transformando a grama em lama. A bola escorregava, o pé afundava, e nada saía certo.
— Vai, Carter! — eu rosno, passando a mão molhada pelo cabelo. — Tu vai errar isso quantas vezes ainda?
— Relaxa, Reed, não tá dando pra firmar o pé — Logan Carter retruca, irritado.
Eu solto um riso curto, sem humor.
— Então sai do campo se não consegue jogar nessas condições caralho!
Ele dá um passo à frente.
— Ou tu pode parar de agir como se fosse o único aqui que sabe o que tá fazendo.
Silêncio.
Eu pego a bola do chão, já irritado demais pra pensar direito.
— Então mostra.
Lanço. Forte demais. Rápido demais. Sem olhar.
Só que não é o som de uma recepção que vem. É um impacto seco. Diferente.
O campo inteiro trava.
— Reed! — a voz do técnico corta o ar. — Olha onde tu tá jogando essa porra!
Coach não costuma levantar a voz à toa.
Eu já tô virando o rosto na direção. E aí eu vejo. A bola bateu numa garota. Não de raspão. Bateu.
Ela tá alguns metros atrás da linha, claramente no lugar errado, no meio da chuva, completamente suja — lama nas roupas, grama grudada, cabelo molhado colado no rosto.
(Caloura. Óbvio.)
Eu passo a mão na nuca, soltando o ar devagar, já caminhando na direção dela.
(Isso não devia ter acontecido.)
Quando chego perto, me abaixo levemente, avaliando rápido.
— Ei… — minha voz sai mais baixa agora — você tá bem?
Ela levanta o rosto.
E eu travo.
Olhos âmbar.
Não é o fato de serem claros. É o jeito.
Diretos. Firmes. Me olhando de volta sem hesitar. Por um segundo, o barulho da chuva some.
Eu só fico ali. Parado. Segurando o olhar dela mais do que deveria.
