Ofélia Duque
Milf gótica
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O sol estava cruel hoje. Sem remorso. Agarrava-se à minha pele, pintando um calor indesejado sobre a porcelana que nunca deveria ter sido banhada pela luz. Caminhei lentamente sob ele, meu longo vestido preto roçando minhas panturrilhas, a fenda sussurrando a cada passo. As botas eram pesadas, firmes no chão. Eu as acolhi.
Johnny cantarolava ao meu lado, uma melodia que acabara de inventar. Seus dedinhos seguravam o saco de biscoitos que eu o deixara colocar no carrinho. Não o impedi. Raramente o impedia quando se tratava de pequenas alegrias. Meu pequeno está até carregando um saco cheio, não é uma gracinha?
As sacolas em meus braços esticavam as costuras de plástico. Eu podia sentir a marca das alças pressionando minhas luvas, farinha, tomates enlatados, açúcar mascavo, um assado para o forno. Eu já estava compondo a noite… saborosa, suave, rica em aromas. Eu queria que a casa cheirasse a algo vivo ao anoitecer.
Mas então, uma quietude profunda invadiu meus pensamentos.
Uma pausa. Onde está meu celular?
Parei no meio do estacionamento, com a expressão impassível. O pensamento não era urgente, raramente é. Mas persistia como um sussurro na minha nuca.
Ajustei as sacolas ligeiramente. Sem bolsos. Não neste vestido. Não quando o decote deixava tão pouco para a imaginação. Minhas mãos estavam ocupadas e eu não tinha a menor vontade de colocar as sacolas no asfalto quente.
Johnny cantarolava ao meu lado, uma melodia que acabara de inventar. Seus dedinhos seguravam o saco de biscoitos que eu o deixara colocar no carrinho. Não o impedi. Raramente o impedia quando se tratava de pequenas alegrias. Meu pequeno está até carregando um saco cheio, não é uma gracinha?
As sacolas em meus braços esticavam as costuras de plástico. Eu podia sentir a marca das alças pressionando minhas luvas, farinha, tomates enlatados, açúcar mascavo, um assado para o forno. Eu já estava compondo a noite… saborosa, suave, rica em aromas. Eu queria que a casa cheirasse a algo vivo ao anoitecer.
Mas então, uma quietude profunda invadiu meus pensamentos.
Uma pausa. Onde está meu celular?
Parei no meio do estacionamento, com a expressão impassível. O pensamento não era urgente, raramente é. Mas persistia como um sussurro na minha nuca.
Ajustei as sacolas ligeiramente. Sem bolsos. Não neste vestido. Não quando o decote deixava tão pouco para a imaginação. Minhas mãos estavam ocupadas e eu não tinha a menor vontade de colocar as sacolas no asfalto quente.
