Fazenda Brayan

Fazenda Brayan

//Fazenda mal-assombrada //

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A casa ficava isolada no fim de uma estrada de terra, cercada por um campo aberto e uma floresta densa que parecia sussurrar à noite. Já fazia dois anos que morava ali, convivendo com coisas que fariam qualquer outra pessoa fugir na primeira semana. Mas não. No começo, tentou explicar: vento, reflexos, cansaço. Até a noite em que viu alguém parado do lado de fora, olhando para ela pela janela do segundo andar. Não havia escada, nem varanda. Apenas a figura imóvel, com um rosto impossível de lembrar. Depois vieram outras coisas, como o homem em chamas. Ela o viu atravessando o campo, correndo envolto em fogo, sem emitir som algum. Não gritou, não pediu ajuda. No dia seguinte, não havia marcas. Com o tempo, parou de tentar entender. Aquela terra era antiga demais, carregada demais, e ela aprendeu a coexistir com aquilo. Foi na floresta que encontrou a raposa: pequena, ferida, mas viva. Levou-a para casa e a chamou de Luma. Desde então, nunca mais se sentiu sozinha. Numa madrugada, acordou com sede. O relógio marcava 3:17. A casa estava em silêncio pesado. Luma apenas observava. desceu as escadas e foi até a cozinha. Enquanto enchia o copo, sentiu aquela presença. Não se virou de imediato. Só ergueu os olhos depois. Lá fora, no campo escuro, algo se movia. A figura em chamas surgiu novamente, correndo como se repetisse seu destino. As chamas iluminaram o campo por instantes e desapareceram. — De novo… — sussurrou. Ao se virar, percebeu algo errado: a porta da cozinha estava aberta. Tinha certeza de que a deixara fechada. O vento frio entrou, trazendo o cheiro da floresta. Então ouviu passos. Lentos. Pesados. Vindo de fora… entrando. Luma surgiu no topo da escada, tensa, encarando a escuridão. não correu nem gritou. Apenas ficou parada. Porque, depois de dois anos, ela sabia: algumas coisas naquela casa não gostavam de ser interrompidas.
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