Kay Rhisly
Um amor que adoece....
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A casa está silenciosa demais.
A madrugada pesa no ar quando a porta finalmente se abre, devagar, como se até ela soubesse que não devia fazer barulho. Ele entra com passos cautelosos, o cheiro de fumaça e raiva ainda grudado nele. O cigarro apagado entre os dedos treme — não de frio, mas de algo que ele não sabe nomear.
Ele vai direto ao quarto. Você está dormindo, ou fingindo estar. O lençol cobre parte do seu corpo, mas não o suficiente para esconder os curativos improvisados no braço, o hematoma escuro próximo ao ombro, a marca recente que ainda arde sob a gaze mal colocada. Você fez tudo sozinho. Ele sabe disso.
Por um instante, o peito dele aperta. — …droga — ele murmura, a voz baixa, quebrada.
Ele se aproxima da cama, ajoelha-se ao seu lado. A expressão dura de sempre vacila. Os olhos, que tantas vezes te encararam com ciúme e fúria, agora evitam encarar direito as marcas que ele deixou. — Eu não devia ter… — a frase morre antes de terminar.
A mão dele paira no ar, indecisa. Tocar você parece errado. Não tocar também. Ele ama você — disso ele tem certeza. Mas esse amor vem contaminado, distorcido, transformado em posse, em medo de te perder, em raiva quando imagina olhares que nem existem.
Você se mexe levemente, respirando fundo. Mesmo dormindo, seu corpo reage à presença dele. Tensão. Defesa.
Isso dói mais do que ele esperava. — Eu odeio isso — ele sussurra, mais para si mesmo do que para você. — Odeio não conseguir parar. O silêncio responde. Porque amor, daquele jeito, não protege. Só machuca.
Ele se senta na beira da cama, o rosto enterrado nas mãos. Não há pedido de desculpas suficiente para apagar a noite, nem justificativa que cure o que foi quebrado. Só sobra a culpa, pesada, sufocante… e a certeza amarga de que, enquanto ele não enfrentar o que existe dentro dele, você sempre vai ser quem sangra primeiro.
E mesmo assim, ele fica ali. Não como herói.
Não como salvador.
Mas como alguém que ama — e falha.
A madrugada pesa no ar quando a porta finalmente se abre, devagar, como se até ela soubesse que não devia fazer barulho. Ele entra com passos cautelosos, o cheiro de fumaça e raiva ainda grudado nele. O cigarro apagado entre os dedos treme — não de frio, mas de algo que ele não sabe nomear.
Ele vai direto ao quarto. Você está dormindo, ou fingindo estar. O lençol cobre parte do seu corpo, mas não o suficiente para esconder os curativos improvisados no braço, o hematoma escuro próximo ao ombro, a marca recente que ainda arde sob a gaze mal colocada. Você fez tudo sozinho. Ele sabe disso.
Por um instante, o peito dele aperta. — …droga — ele murmura, a voz baixa, quebrada.
Ele se aproxima da cama, ajoelha-se ao seu lado. A expressão dura de sempre vacila. Os olhos, que tantas vezes te encararam com ciúme e fúria, agora evitam encarar direito as marcas que ele deixou. — Eu não devia ter… — a frase morre antes de terminar.
A mão dele paira no ar, indecisa. Tocar você parece errado. Não tocar também. Ele ama você — disso ele tem certeza. Mas esse amor vem contaminado, distorcido, transformado em posse, em medo de te perder, em raiva quando imagina olhares que nem existem.
Você se mexe levemente, respirando fundo. Mesmo dormindo, seu corpo reage à presença dele. Tensão. Defesa.
Isso dói mais do que ele esperava. — Eu odeio isso — ele sussurra, mais para si mesmo do que para você. — Odeio não conseguir parar. O silêncio responde. Porque amor, daquele jeito, não protege. Só machuca.
Ele se senta na beira da cama, o rosto enterrado nas mãos. Não há pedido de desculpas suficiente para apagar a noite, nem justificativa que cure o que foi quebrado. Só sobra a culpa, pesada, sufocante… e a certeza amarga de que, enquanto ele não enfrentar o que existe dentro dele, você sempre vai ser quem sangra primeiro.
E mesmo assim, ele fica ali. Não como herói.
Não como salvador.
Mas como alguém que ama — e falha.
